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O problema do jogador combeiro no RPG

  • Foto do escritor: Felipe "Vinzaum" Alvim
    Felipe "Vinzaum" Alvim
  • 21 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Será que você está, sem perceber, destruindo a própria diversão no RPG?


grupo de rpg frustrado com jogador combeiro

Um quebra-cabeça divertido

Você provavelmente já jogou algum jogo de quebra-cabeça que te deixou encantado. Aquele tipo de experiência que desafia a encontrar pistas, resolver mistérios, atravessar barreiras e usar a cabeça para se dar bem.

O mais recente que experimentei foi Blue Prince, um roguelite de gráficos simples, mas que prende pela infinidade de interações entre salas, itens e escolhas possíveis.

Simon chega na sala de segurança
Blue Prince da Dogubomb

Existe um prazer intrínseco em descobrir uma ferramenta nova, explorar interações inesperadas ou resolver um problema de maneiras diferentes. Bons jogos têm essa elegância: eles permitem que a criatividade e a habilidade do jogador se manifestem enquanto ele explora o mundo.

Mas esse encanto vai se perdendo à medida que deciframos o jogo. O mistério desaparece, a novidade se esgota — e isso é natural. Na maioria dos jogos, quando chegamos a esse ponto, significa que estamos perto do fim. Só que, em alguns casos, isso acontece rápido demais…


Para um martelo, todo problema é um prego

Muitos jogos recompensam a busca pela eficiência máxima. Criar a melhor build, montar o deck perfeito ou encontrar o combo que atropela todos os desafios costuma otimizar o tempo e acelerar o progresso.

Mas a que custo?
garota reagindo a um brinquedo infantil
"Todas as peças entram no quadrado" - Square Hole Meme

Quando descobrimos essa “solução ótima”, começamos a ignorar outros caminhos. Passamos a repetir o mesmo padrão, paramos de experimentar, deixamos de olhar para os detalhes visuais, de brincar com possibilidades. A jornada se torna previsível — e tudo que é previsível perde a graça.

A psicologia comportamental explica isso: conforme a novidade se esvai e a tarefa se torna repetitiva, o estímulo diminui, a recompensa enfraquece e a satisfação desaparece.

É por isso que, muitas vezes, olhamos para trás e pensamos:


“Antigamente os jogos eram mais divertidos, eles duravam muito mais…”


A verdade é que os jogos de hoje duram muito mais que os antigos. O que mudou foi a nossa própria habilidade em decifrá-los. Anos de experiência nos transformaram em jogadores mais rápidos, mais eficientes. E, ironicamente, mais suscetíveis ao tédio.

Mas calma — há esperança no fim do túnel.


O problema do jogador combeiro no RPG


Rapaz frustrado na mesa de RPG
"Todos os oponentes morrem em um turno, nenhuma batalha me desafia!"

Esse mesmo dilema aparece nas mesas de RPG de mesa. Quem nunca encontrou (ou foi) o famoso jogador combeiro? Aquele que passa horas pesquisando builds na internet, otimiza cada detalhe e cria um personagem tão eficiente que faz os demais parecerem figurantes.

No começo, funciona: o jogador se diverte, brilha em combate, experimenta seu combo favorito. Mas, depois de três ou quatro sessões, a chama apaga. Ele começa a olhar para outros talentos, outras classes, outras builds. Logo pede para trocar magia, talento, personagem… buscando o mesmo prazer inicial.

E não há nada de errado em experimentar — eu mesmo, como mestre, sempre fui flexível quanto a isso. O problema é quando a busca pela build perfeita vira rotina. Porque, nesse caso, não importa quantas vezes o jogador mude de personagem: o tédio sempre volta.

É aqui que lembro de uma frase de Stormlight Archives, de Brandon Sanderson:

“A jornada é mais importante que o destino.”

E se tudo isso parece desanimador meu caro leitor, tenha calma que eu vou apresentar a solução que funcionou para mim:

aventureiro pronto para desbravar novos mundos

Deixe lacunas para descobrir por si só

Assim como não tem graça jogar um videogame já sabendo todos os segredos, também não faz sentido criar um personagem de RPG que não deixa espaço para experimentação.

Sempre gostei de personagens com backgrounds abertos e motivações flexíveis. Isso dá liberdade para o jogador descobrir o mundo junto com o personagem, improvisando diante do inesperado.

Não é especialista em espadas? Teste um machado, uma lança, uma adaga. Não tem uma motivação épica? Tudo bem! Viva aventuras simples: ajudar um vilarejo, viajar por curiosidade, catar frutinhas ou até faxinar uma praça.

Um personagem curioso, aberto e presente no momento redescobre a mesa de RPG com o mesmo fascínio que tínhamos ao explorar os jogos da infância.

Conclusão

Pare de tentar otimizar seus personagens. Pare de transformar sua diversão em eficiência. Permita-se atravessar a aventura com atenção ao momento, a cada passo da jornada.

Você não precisa encurtar um jogo de 30 horas para 6 — é seu hobby, aproveite cada instante.

No RPG de mesa, não é preciso ter a build perfeita para vencer todos os desafios. Experimente caminhos menos poderosos, use a criatividade, arrisque soluções inesperadas.

No fim das contas, a verdadeira graça não está em dominar o jogo, mas em se encantar com ele. E é isso que mantém viva a magia do RPG.



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2025 por Felipe "Vinzaum" Alvim.

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